sexta-feira, 6 de agosto de 2010

garçom + hóspede + picanha = VINGANÇA

Em uma agradável noite de sábado, o jovem Garçon estava rancoroso por ter que estar trabalhando enquanto todos os seus amigos estavam bebendo e se divertindo a apenas duas quadras de distância, mas de maneira alguma deixou isso transparecer para nenhum dos clientes que atendeu naquela noite.

Com a roupa impecável e um sorriso acolhedor, ele recebeu o Hóspede com toda a educação e simpatia que lhe era exigido, mesmo sem ter sequer ouvido um "boa noite" de volta. O Hóspede se sentou em uma mesa no centro do salão e fez seu pedido:

Uma picanha grelhada "ao ponto" com arroz e fritas.



Nosso garçom anotou o pedido e o repassou a cozinha que em mais ou menos 10 minutos concluiu o seu preparo. O Garçom levou o prato até o hóspede e se afastou, mas depois de 30 segundos foi chamado de volta:

- Oh! Oh! - disse o Hóspede estalando os dedos - Oh! Psiu!!!

Isso era uma coisa que incomodava muito o garçom, afinal ele era uma pessoa e não um cachorro.

- Pois não senhor? Há algo errado?
- Eu pedi a picanha "ao ponto". Isso aqui parece estar "ao ponto"? Esse boi está praticamente vivo no meu prato. - disse o Hóspede gritando, apesar de estar ao lado do garçom.

Realmente a carne estava mal passada, reparou o garçom.

- Sinto muito senhor, vou levar o prato de volta para a cozinha para passar mais a carne.

O Garçom então solicitou a cozinheira que voltasse a carne na grelha, afinal o Hóspede só havia cortado um único pedaço e sequer o havia levado a boca. Depois que qualquer vestígio de sangue sumiu da carne, o Garçon o levou de volta ao Hóspede.

- O que é isso?
- É a sua picanha "ao ponto", senhor.
- Mas é a mesma picanha.
- Sim senhor, só que agora ela está "ao ponto", como solicitado.
- Mas que absurdo, eu quero "outra" picanha". Eu tenho cara de quem como carne requentada? Primeiro você me traz um pedaço de carne crua e agora quer que eu coma isso aqui? - e segurou o prato como se ele estivesse contaminado pelo vírus da Ebola - Eu quero uma picanha nova.

Espumando de ódio interno, o Garçon pegou o prato e levou de volta pra cozinha. Ao chegar lá xingou o Hospede de todos os piores nomes do dicionário.

- Faz outra picanha pra aquele filho da %$#@. - pediu o garçom para a cozinheira.
- Mas ele nem tocou nesse ai? - disse ela olhando para o prato intocado na mão do Garçom.
- Eu sei, mas faz outro, por favor.

Sem discutir, a cozinheia foi até a geladeira e tirou um novo pedaço de picanha, mas antes que ela pudesse colocar para grelhar, o garçom teve uma idéia.

- Espera! - disse ele - Me dá essa carne aqui.

A cozinheira, exitante, lhe entregou carne. O Garçon se lembrou da grosseria gratuíta do Hóspede e tomou a dua decisão. Jogou o bife na parte mais suja do chão que consegui encontrar.

Mas apenas isso não era o suficiente. A carne passou pelo ralo sujo...



Pela coifa imunda...



Pelo vaso...



Tá, a parte do vaso é mentira, mas que ele sentiu vontade, ele sentiu.

Mas passando ou não pelo vaso, o pobre pedaço de carne passou pelo lugares mais sujos que existem na cozinha, antes e depois de ser grelhada "ao ponto".

- Aqui está senhor, espero que esteja de seu agrado desta vez.
- Eu também. - disse o Hospede

E de longe, e em silêncio, o Garçom ganhou o seu dia enquanto assistia ao Hóspede comer aquela carne completamente contaminada. Mas o Hospede não percebeu nada, afinal a picanha estava, finalmente, "ao ponto".

Moral da história: NUNCA DESTRATE ALGUÉM QUE IRÁ LHE SERVIR COMIDA